Perdeu-se todo o significado, toda a capacidade de dizer, todo o gesto, simples e exato, todo o comprometimento, todo sentimento. Perdeu-se a importância, o fato, o ato, o consumo da palavra, o sabor, o amor, a dádiva de dizer, eu te amo. Escrever já não adiante, mas mesmo assim ainda tento...
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Quem és tu?
Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
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