Perdeu-se todo o significado, toda a capacidade de dizer, todo o gesto, simples e exato, todo o comprometimento, todo sentimento. Perdeu-se a importância, o fato, o ato, o consumo da palavra, o sabor, o amor, a dádiva de dizer, eu te amo. Escrever já não adiante, mas mesmo assim ainda tento...
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Então ele a segurou pelos braços e começou a chamar-lhe o nome desesperadamente...Acorde... Eu sou real!... esta situação repetiu-se pela terceira vez essa semana... a capacidade de suportar já há muito tempo não o acompanha... Tudo estava tão diferente, a esperança se esvaia a cada dia... Lembrava-se com dor de conhecê-la e amá-la... Desde que começou a ter os surtos ele a acompanhou... as internações... os diagnósticos cada vez mais confusos dos médicos... as alucinações cada vez mais constante... os remédios sedativos... a perda da capacidade de se relacionar... o esgotamento da família... tudo isso ele passou de forma a colocar o próprio sentimento a frente das dificuldades... Três tentativas de suicídios que ele evitou prontamente.. tudo era tão forte e tão intenso... todo sofrimento... toda a sensação de impotência... As horas em que a encontrava sedada dedicava-se a chorar e imaginar uma maneira sobrenatural de entrar em sua mente e trazê-la a "realidade"... a dor, o desespero, ela se rasgando, lágrimas, impotência tudo acontecia tão rápido tão intenso que ele não vivia mais do que pra ela... Chamou vários especialistas, várias técnicas, vários hospitais... mas sentia . Cada vez mais aprofundada em si mesma e a si mesmo cada vez mais distante dela... No quarto,já não havia móveis... ela havia acabado com tudo em seus surtos... não reconhecia mais ninguém... ele impotente não tinha como entrar em seu mundo... resgatá-la, salvá-la de si mesma... Era em vão as tentativas de lembrança... de pontuar seu amor... nada mais existia que ele poderia reconhecer... mas continuava resoluto, lutando por algo que só o inimaginável de um sentimento poderia proporcionar... e foi nessa tarde que desesperado os seus gritos se confundiam com os dela... Se misturou em sua fúria e frustração e a sacudia de forma a tentar retomar a consciência dela... sentiu pender se para a linha que os diferenciavam e viu-se em desespero como em um ultimo grito... corpos se misturavam em iras diversas e de repente sentiu seu pescoço ser agarrado... começou a sufocar... não entendia como a força de.O superava, mas não havia tempo para raciocínios... o ar lhe faltava... tentou exprimir algum sentimento mas o corpo foi desfalecendo de forma irregular... perdeu a si... perdeu o amor... perdeu uma relação...
Acordou com uma sensação estranha... abriu os olhos devagar... viu sua enfermeira espremida em suas mãos... o corpo solto pendeu pro lado... seus olhos acompanharam o movimento... percebeu os seus comprimidos caírem ao chão... e chorou pela ilusão.
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