Perdi a conta de quantas vezes disse a mim “pronto, era disso que eu precisava para ir, amanhã vai ser diferente, este foi mesmo o melhor momento para ser o último”. E então eu ia seguindo os dias, cada um deles, em silêncio e com a cabeça gritando ao coração “agüenta que agora a gente consegue ficar bem”. Só que aquele não era o momento de eu partir, e de novo eu voltava. Não era o momento porque eu não poderia ir embora com o coração sangrando de incertezas, de palavras que nunca foram ditas, de sentimentos sufocados, amarrados pelas minhas próprias mãos. Mas hoje eu entendi que ninguém nunca vai estar aqui por completo, e que tudo que espero que digam a mim, são coisas que espero ouvir de mim mesma.
Não posso esperar que alguém diga que sou tudo aquilo que ela sempre quis, antes de ser para mim mesma tudo aquilo que devo e mereço ser. Então, daqui para frente não será eu que partirei. Deixo que qualquer um vá, mas não eu. Tenho que permanecer aqui.
Não foi mesmo o melhor momento pra ser o fim, conversas ficaram para amanhã, promessas foram quebradas e sentimentos foram ignorados. Mas penso que assim é mais bonito, algo suspenso, como um suspiro, como um “até logo”, pois quando ignoramos as coisas isso significa que estamos tentando esquecer, como medo de enfrentar algo que sempre vai estar em evidencia. Eu não estarei mais em nenhum lugar além de aqui, além do meu lugar. Tudo está tão claro para mim agora, de um jeito que nunca vi!

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